quarta-feira, 2 de maio de 2012

[Resenha] Irmã Monika - E.T.A. Hoffmann


Título: Irmã Monika - Narrativas e relatos
Título original: Schwester Monika - Erzählt und Erfährt
Autor: E.T.A. Hoffmann
Editora: Círculo do Livro
Páginas: 145
Tradução: Silvia Rezende
Ano: 1992







Sinopse

Monika, agora reclusa num convento, faz um relato sobre a vida de sua mãe e posteriormente sobre a sua própria e de todas as aventuras sexuais vividas na busca da educação perfeita e da compreensão, por meio desta, do que é a natureza real e divina do prazer.

Citação
Sem pois, deixar suspeitar, pela mínima exclamação, até que ponto as nádegas nua de minha mãe tinham dissipado seu ódio às mulheres, pousou três beijos nos objetos de sua ofensa; depois, sem o menor constrangimento, com um ar indiferente, devolveu a camisa e as anáguas a sua destinação natural e levantou minha mãe da cadeira.
Mas o coronel saibia perfeitamente que o mais difícil estava por vir; pois ele queria deixar a cada uma das expectadoras uma lembrança idêntica, a fim de que nenhuma dentre elas pudesse se prevalecer de qualquer vantagem sobre as outras.
Essa preocupação mostrou-se, todavia, inútil. Franziska sentara-se nos joelhos do tenente Soeller, e este, com ousadas mãos explorava os mais secretos encantos da jovem imprudente.
Lenchen, sendada na cadeira, suspendera a saia até as coxas e recolocava a liga; Juliana colocara a mão em sua fenda e Friederika olhava a calça do tenente que Franziska acabara de desabotoar e da qual se preparava para extrair um membro viril de tão bom tamanho que nenhuma, exceto Louise, jamais vira outro igual.


Amália, doce Amália

O alemão Hoffmann vem nos trazer a obra Irmã Monika – Narrativas e aventuras (Schwester Monika – Erzählt und Erfährt) pela primeira vez em 1815. Tentarei resenhá-lo como uma leitora de 2012, levando em consideração o período em que foi escrito e as reações que deve ter encontrado no início do século XIX.

Começamos com o promissor enunciado abaixo do subtítulo: “Documento filantropínico-filantrópico-físico-erótico do Convento Secular de X***, de S***”. De todos estes adjetivos, “erótico” é, sem dúvida o mais presente em Irmã Monika.

A primeira (ou seria segunda) coisa que quero que saibam sobre esta obra é que ela é MUITO chata. Bota chata nisso.

O autor me exauriu toda a paciência enquanto lia Irmã Monika e digo que só terminei às custas de um compromisso que assumi com uma amiga, carinhosamente apelidada de Amália (nome verdadeiro da personagem principal deste romance). São exageradas e ridiculamente exaustivas todas as referências à obras gregas, os textos em latim e as imensas notas de rodapé, uma inclusive em latim!!

Levemos em consideração que esta obra foi escrita há 197 anos e que o estudo dos textos dos nobres filósofos gregos constituía educação privilegiada e que, por isso, deve ter sido infinitamente menos chato lê-la sendo um homem culto, contemporâneo de Hoffmann. Espero.

Mas... Mas... Mas! Vem a parte boa. Schwester Monika trata-se basicamente de relatos eróticos heterossexuais, seculares e profanos, gay feminino (o que me leva a crer que foi escrito para homens), e indefinido (afinal,  o que é Fredegunde?!). É um tal de padres tutores levantarem as saias das mocinhas a quem ensinavam, de mãos assanhadas, virgens defloradas, banhos voluptuosos, dedos que acalmam “ardores desesperados em seu ser ainda impúbere pelo encanto persuasivo” de vários homens, e de várias histórias narradas com o objetivo de excitar.

Tudo com classe e um linguajar apuradíssimo, claro.

Penso que Irmã Monika não é uma obra para os leitores de hoje, mas que as mentes amantes da literatura erótica hão de aproveitar, apropriadamente, os deliciosos relatos das aventuras vividas pelos personagens. A linguagem atrapalha um pouco e se você lê pouco, vai precisar de paciência para compreender os enormes diálogos filosóficos, que podem até se tornar interessantes, no final das contas.

Sobretudo, acredito que gostaria de ter lido este livro na ocasião de sua publicação, em 1815, onde as mentes ao mesmo tempo pudicas e pervertidas (talvez pelo próprio pudor) eram sedentas de sacanagem e se deleitaram lendo, às escondidas, um obra tão explícita sobre amores carnais e a penitência do prazer.

Não posso nem recomendá-lo, nem deixar de fazê-lo. Deixo livre sua curiosidade. Se ela quiser adentrar na gruta do prazer de Irmã Monika, que o faça – o prazer é divino. Apenas lembre-se que não pode haver apenas prazer: há que se sofrer por ele. Boa leitura!



Skoob:
Página de Irmã Monika, de E.T.A. Hoffman no Skoob, aqui.

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Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. Adorei a resenha, Naluh!!! Ficou demais!!!
    "amiga carinhosamente apelidada de Amália"... Chorei! T___T
    Tá perfeito, amiga, sem tirar nem por!

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  2. Que bom que gostou. Prometi e cumpri! o/
    *joga confetes!*

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