quarta-feira, 11 de julho de 2012

[Resenha] As Melhores Lendas Medievais - Carmen Seganfredo e A.S. Franchini


Título: As Melhores Lendas Medievais
Autores: Carmen Seganfredo e A.S. Franchini
Editora: L&PM
Páginas: 264
Ano: 2008
Edição: 1













Nesta coletânea, Carmen Seganfredo e A.S. Franchini nos brindam com uma coleção de histórias do Medievo. O Ciclo do Reio Artur, As Mil e Uma Noites e Lendas Celtas são os temas abordados pela dupla famosa por trazer ao público infanto-juvenil histórias bacanas, identificando sua origem, com uma linguagem simples.

A minha história com Seganfredo e Franchini começou em As Melhores Histórias da Mitologia Egípcia e eu detestei tanto o livro que decidi nem fazer resenha para ele.

Quando comecei a ler o presente título, o fiz cheia de receio e com muita vagareza. Cheguei a abandoná-lo uma ou duas vezes. Mas, diferentemente das histórias egípcias, eu curti muito as medievais segundo a perspectiva da famosa dupla.

O ponto alto, definitivamente, é o bom humor sagaz que faz compor frases como “Tristão estava triste no aumentativo...” e “E foi assim que o rei da Cornualha, movido por alguma misteriosa força telúrica, começou a fazer-se digno do nome de sua terra.”

Leve, descontraído e com a habilidade de te fazer dar boas risadas, é sem dúvida uma boa pedida!

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

[Resenha] A Hora das Bruxas - Livro 1 - Anne Rice

Título: A Hora das Bruxas - Série Bruxas Mayfair - Livro 01
Título original: The Witching Hour - Lives of the Mayfair Witches - Book One
Autor: Anne Rice
Editora: Rocco
Páginas: 490
Tradução: Waldéa Barcellos
Ano: 1994
Edição: 1






Sinopse:

A Talamasca, um grupo com poderes extra sensoriais voltados para o bem, durante séculos pesquisou a vida da família Mayfair, uma dinastia de bruxas que começou no século XVII, na Escócia, transplantou-se para o Haiti e de lá para a fantasmagórica Nova Orleans. É através dos seus volumosos arquivos que vamos descobrir essa saga de seres decadentes e mórbidos, convivendo pacificamente com o incesto, as tempestades e um espírito, meio divindade celta, meio demônio, chamado Lasher.

Cabe agora a Rowan, brilhante neurocirurgiã californiana e herdeira do Clã, decidir-se entre o amor de Michael Curry e a sedução de um ser poderoso que quer ficar nesse mundo para sempre.

Anne Rice, mais uma vez prova por que é a mestra do gótico contemporâneo, dominando, ao mesmo tempo, as rédeas do drama, da inspirada sexualidade e do fantástico.

A Saga Mayfair

Em 1689 é a primeira vez em que se ouve falar em Lasher, um espírito que controla os ventos e as tempestades, invocado para servir apenas aos eleitos (um por geração) da família Mayfair. Mas quem controla quem? Serão as bruxas da notória descendência irlandesa que controlam o espírito, ora amante devotado, ora um verdadeiro demônio? Ou será ‘o homem’ que aprende, as ama e vive através delas?

A primeira coisa que devo dizer é que não será no livro do primeiro volume que ficaremos sabendo quem, de fato, controla quem. Se você espera um título onde as coisas se desenrolam com princípio, meio e fim, trazendo novos problemas para a continuação da série, pare de esperar. É como um único livro, dividido em volumes.

No primeiro volume da série, que eu não recomendo que se comece a ler sem que o segundo livro esteja bem ao lado, esperando, nos traz um emaranhado de impressões de diversas personas, todas relacionadas, de certa forma, com Lasher. Seja através do próprio demônio, ou por Deirdre, que se não fosse a sinopse na contra-capa do tomo, se pensaria se tratar da protagonista de A Hora das Bruxas. Ledo engano.

Trata-se de Rowan, filha de Deirdre, quem herdará toda a fortuna do legado da família Mayfair e, também, Lasher. Trata-se, também, de Michael Curry, através de quem conheceremos esta fantástica genealogia, estas impressionantes bruxas.

O livro é quase uma decepção. Quase. Se não nos comovêssemos com Michael, com a inerte Deirdre e não mergulhássemos nas histórias de cada um de seus antepassados, personagens magníficos, e se não tivesse sido um extremo deleite mergulhar nesta viagem, seria decepcionante a forma como este primeiro volume chega ao fim. Devo dizer que não é, de forma alguma, o fim. Não chega a ser nem o fim de uma parte. Desesperador, não ter o segundo título nas mãos. Ansiosa como sou, a cada página que virava e não havia menção de voltarmos ao presente, era mais um pouquinho de nervosismo. Principalmente porque chegávamos, a cada capítulo, mais perto de Deirdre e sua misteriosa história.

Não vou revelar mais. Também não é justo com quem prefere a surpresa. Mas também é verdade que quem prefere surpresas não lê blogs de resenhas... Mesmo assim, não gosto de spoilers demais. Precisa-se oferecer um gostinho e sair, discretamente. Ou subitamente, dependendo do humor.

Poderia terminar assim: me apaixonei por Lasher. Pronto falei. Queria ter um Lasher assim. Mas não. Quero falar de como a viagem pela história dos Mayfair ancestrais me comoveu, principalmente as primeiras de que se tem notícia. Também quero falar de como Julien era formidável! Simplesmente formidável! De como é de suma importância que eu conheça o final desta história, agora que sei como começou.

Recomendo totalmente A Hora das Bruxas, Volume I. Trata-se de um livro grosso, com letras pequeninas e uma bonita história de terror! Como não recomendar? Volume dois, aqui vou eu!


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domingo, 6 de maio de 2012

[Resenha] A Bússola de Ouro - Philip Pullman


Título: A Bússola de Ouro - Trilogia Fronteiras do Universo - Volume 01
Título original: Northern Lights - His Dark Materials - Book One
Autor: Philip Pullman
Editora: Objetiva
Páginas: 365
Tradução: Eliana Sabino
Ano: 2007






Sinopse
Quando Lyra recebe o aletiômetro estranho e misterioso, se inicia uma jornada extraordinária para as terras geladas do Ártico, onde clãs de bruxas e ursos de armadura travam uma luta decisiva. Seu destino terá conseqüências inimagináveis, muito além do mundo em que ela vive...

Citação
A luz enchia todo céu ao Norte, sua imensidão mal podia ser concebida. Como se presas no próprio céu, grandes cortinas de delicada luz pendiam e estremeciam. Com tons de verde claro e rosa, transparentes como a renda mais fina, e tendo como bainha uma faixa de púrpura profundo e gritante como as chamas do inferno. Elas bailavam e cintilavam com mais graça do que a mais graciosa bailarina. Lyra chegou a pensar que as escutara: um sussurro intenso e distante. No meio daquela delicadeza evanescente, aquilo a comovia, era muito lindo, quase sagrado. Ela sentiu lagrimas nos olhos, e as lagrimas dividiram ainda mais a luz do arco íris prismático.


Intrépidas Aventuras

Lyra Belacqua é uma criança normal com um grande quintal para brincar: a Faculdade Jordan, em Oxford. Sua vida, junto com seu dimon, Pantalaimon é perfeita! Cheia de aventuras que hora são guerras, hora pirataria, hora exploração de catacumbas, Lyra tinha encontrado, até aquele momento, uma coisa que a fizesse temer verdadeiramente.

Mas, de repente, essa vida perfeita vira de cabeça para baixo, quando os temidos e misteriosos Gobblers, que roubam criancinhas, levam seu melhor amigo (depois de Pantalaimon, é claro) Roger e Billy Costa, um menino gípcio, seu conhecido. Tudo isso, ao que parece, por causa de um misterioso e quase invisível “pó”.
A partir daí, Lyra vai vivenciar aventuras muito maiores – e melhores – do que aquelas que sua fértil imaginação conseguiria, por ventura, calcular! Perigos reais, alianças, longas jornadas e belíssimas paisagens. Tudo isso está no caminho de Lyra. E até mais. Ela encontrará a verdade.

O livro, que é divido em três partes, foi uma experiência deliciosa! No início você precisa se munir de paciência e cautela, pois o autor nos brindou com uma espécie de universo paralelo, onde encontramos fatos e objetos do passado, do presente e do futuro.

Uma outra deliciosa viagem do autor foi a de renomear objetos, entre outras coisas, com nomes diferentes, mas que ao mesmo tempo, conservam traços da nomenclatura antiga, para que você saiba, ou pelo menos imagine, do que se trata. Como, por exemplo, os gípcios  e o óleo pétreo.

Esta capacidade do autor, de transformar o mundo de A Bússola de Ouro num universo paralelo, tão rico em descrições e detalhes, sem nunca perder a mão, que te arrasta lá para dentro sem te cansar é um dos melhores pontos do livro.

A narrativa de Philip Pullman te deixa um pouco zonza, a princípio, mas ao mesmo tempo, é tão rica, que nos impede de desinteressar do livro – o que definitivamente seria uma lástima se ocorresse, uma vez que a história fica melhor, a cada capítulo que passa.

Para quem curte Física Quântica, assim como eu, o livro trará um sabor especial, uma vez que a grande missão de Lyra tem início justamente com o vislumbre de uma cidade, pertencente à uma dimensão paralela, através de Aurora Boreal. Além do fato de ser o mundo retratado na história, ele próprio, algo situado aqui e além, segundo o nosso ponto de vista, enquanto leitor.

Terminei de ler o livro com muito mais vontade de ver a Aurora Boreal para procurar uma cidade lá dentro e de conhecer um panserbjorne.

Vou, definitivamente ler “A Faca Sutil”, segundo volume da trilogia Fronteiras do Universo, para saber a onde o Pó e o destino levarão Lyra, desta vez!


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quarta-feira, 2 de maio de 2012

[Resenha] Irmã Monika - E.T.A. Hoffmann


Título: Irmã Monika - Narrativas e relatos
Título original: Schwester Monika - Erzählt und Erfährt
Autor: E.T.A. Hoffmann
Editora: Círculo do Livro
Páginas: 145
Tradução: Silvia Rezende
Ano: 1992







Sinopse

Monika, agora reclusa num convento, faz um relato sobre a vida de sua mãe e posteriormente sobre a sua própria e de todas as aventuras sexuais vividas na busca da educação perfeita e da compreensão, por meio desta, do que é a natureza real e divina do prazer.

Citação
Sem pois, deixar suspeitar, pela mínima exclamação, até que ponto as nádegas nua de minha mãe tinham dissipado seu ódio às mulheres, pousou três beijos nos objetos de sua ofensa; depois, sem o menor constrangimento, com um ar indiferente, devolveu a camisa e as anáguas a sua destinação natural e levantou minha mãe da cadeira.
Mas o coronel saibia perfeitamente que o mais difícil estava por vir; pois ele queria deixar a cada uma das expectadoras uma lembrança idêntica, a fim de que nenhuma dentre elas pudesse se prevalecer de qualquer vantagem sobre as outras.
Essa preocupação mostrou-se, todavia, inútil. Franziska sentara-se nos joelhos do tenente Soeller, e este, com ousadas mãos explorava os mais secretos encantos da jovem imprudente.
Lenchen, sendada na cadeira, suspendera a saia até as coxas e recolocava a liga; Juliana colocara a mão em sua fenda e Friederika olhava a calça do tenente que Franziska acabara de desabotoar e da qual se preparava para extrair um membro viril de tão bom tamanho que nenhuma, exceto Louise, jamais vira outro igual.


Amália, doce Amália

O alemão Hoffmann vem nos trazer a obra Irmã Monika – Narrativas e aventuras (Schwester Monika – Erzählt und Erfährt) pela primeira vez em 1815. Tentarei resenhá-lo como uma leitora de 2012, levando em consideração o período em que foi escrito e as reações que deve ter encontrado no início do século XIX.

Começamos com o promissor enunciado abaixo do subtítulo: “Documento filantropínico-filantrópico-físico-erótico do Convento Secular de X***, de S***”. De todos estes adjetivos, “erótico” é, sem dúvida o mais presente em Irmã Monika.

A primeira (ou seria segunda) coisa que quero que saibam sobre esta obra é que ela é MUITO chata. Bota chata nisso.

O autor me exauriu toda a paciência enquanto lia Irmã Monika e digo que só terminei às custas de um compromisso que assumi com uma amiga, carinhosamente apelidada de Amália (nome verdadeiro da personagem principal deste romance). São exageradas e ridiculamente exaustivas todas as referências à obras gregas, os textos em latim e as imensas notas de rodapé, uma inclusive em latim!!

Levemos em consideração que esta obra foi escrita há 197 anos e que o estudo dos textos dos nobres filósofos gregos constituía educação privilegiada e que, por isso, deve ter sido infinitamente menos chato lê-la sendo um homem culto, contemporâneo de Hoffmann. Espero.

Mas... Mas... Mas! Vem a parte boa. Schwester Monika trata-se basicamente de relatos eróticos heterossexuais, seculares e profanos, gay feminino (o que me leva a crer que foi escrito para homens), e indefinido (afinal,  o que é Fredegunde?!). É um tal de padres tutores levantarem as saias das mocinhas a quem ensinavam, de mãos assanhadas, virgens defloradas, banhos voluptuosos, dedos que acalmam “ardores desesperados em seu ser ainda impúbere pelo encanto persuasivo” de vários homens, e de várias histórias narradas com o objetivo de excitar.

Tudo com classe e um linguajar apuradíssimo, claro.

Penso que Irmã Monika não é uma obra para os leitores de hoje, mas que as mentes amantes da literatura erótica hão de aproveitar, apropriadamente, os deliciosos relatos das aventuras vividas pelos personagens. A linguagem atrapalha um pouco e se você lê pouco, vai precisar de paciência para compreender os enormes diálogos filosóficos, que podem até se tornar interessantes, no final das contas.

Sobretudo, acredito que gostaria de ter lido este livro na ocasião de sua publicação, em 1815, onde as mentes ao mesmo tempo pudicas e pervertidas (talvez pelo próprio pudor) eram sedentas de sacanagem e se deleitaram lendo, às escondidas, um obra tão explícita sobre amores carnais e a penitência do prazer.

Não posso nem recomendá-lo, nem deixar de fazê-lo. Deixo livre sua curiosidade. Se ela quiser adentrar na gruta do prazer de Irmã Monika, que o faça – o prazer é divino. Apenas lembre-se que não pode haver apenas prazer: há que se sofrer por ele. Boa leitura!



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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

[Resenha] A Vidente - Hanna Howell

Título: A Vidente
Título original: If He's Wicked
Autor: Hannah Howell
Editora: Lua de Papel
Páginas: 207
Tradução: Silvia Rezende
Ano: 2011







Sinopse:
Estamos no século XVIII, na Inglaterra georgiana. Como todas as gerações de sua família, Chloe Wherlocke possui habilidades especiais, e o seu dom é enxergar além da visão física.
Em 1785 ela prevê a morte de uma mulher que acabara de dar à luz e toda uma trama para atender a motivos escusos. Ao encontrar uma criança abandonada ao lado do corpo da mãe, ela salva o bebê e o cria escondido do mundo. Fazia isso por amor, mas talvez houvesse neste gesto alguma força do destino...
Com o passar dos anos, Chloe descobre que o encontro com a criança não havia sido uma simples coincidência e nota, pouco a pouco, um desenrolar de acontecimentos que envolviam todos os membros de sua família, num jogo de traições, mentiras e assassinatos.
Consciente de tudo, ela precisa ser rápida para salvar a vida do pai do menino, o conde Julian Kenwood, e avisá-lo que o filho não morreu. Mas, ao se aproximar da família Kenwood, Chloe percebe seu sentimento de proteção por Julian se transformar enquanto a cada momento tudo fica mais perigoso.

Citação:
“Chloe permaneceu encolhida sob a colcha, observando ele se vestir. O homem não tinha um pingo de vergonha, ela pensou, quase sorrindo. Era ao mesmo tempo agradável e estranho compartilhar um quarto com um homem, vê-lo se vestir e se barbear e fazer todas as coisas que os homens fazem. Isto a fazia se sentir próxima dele.
É claro que agora ela precisava e queria muito mais do que esta compatibilidade que eles pareciam ter em comum. Ela queria ser amada por Julian. A idéia quase a fez rir. Ele estava tão acima do seu alcance, um homem rico e com um título que era tudo que muitas mulheres queriam. Ela tinha sua paixão e confiança, e sabia que ele gostava dela. De algum modo ia ter de aprender a se satisfazer com isso. Assim como iria ter de aprender a não sofrer com o fato de que o homem que ela amava não retribuía seu amor.”

A Vidente
Chloe Wherlocke é descendente de uma linhagem que vem conservando, ao longo dos séculos, traços – ou “dons”, como ela diz – sobrenaturais. Em 1785, nossa protagonista tem uma visão com uma mensagem de vida e morte que a entrega uma missão.

Em 1788, após três longos anos de espera, Chloe e seu primo Leopold Wherlocke vêem chegar, finalmente, o momento de agir. As vidas do Conde Julian de Kenwood, senhor de Colinsmoor, e de seu filho, Anthony, depende deles.

Chloe precisa fazer uso de seu dom da profecia para evitar que aqueles que tramam a morte do Conde tenham sucesso. Mas o destino tinha mesmo que fazer deste homem, uma criatura tão atraente e tão sedutora?

Eu não tinha grandes expectativas a respeito da história, quando comecei a ler o livro. Isso foi bom, pois desta forma eu não me decepcionei.

O meu gênero literário favorito é, sem dúvida, o Romance Histórico. Gosto de passar meus momentos de leitura viajando por outras épocas e costumes. E sempre espero que a narrativa consiga me envolver, me transportar para dentro da história e que tenha descrições suficientes para me ajudar a criar o cenário. Espero, também, que estas descrições passem pelas roupas, penteados e tudo o mais que for necessário para me ajudar a construir a imagem dos personagens.

Já que eu não estou vivendo naquela época, gosto que o autor consiga me iludir e me fazer pensar que eu sou uma espectadora, ou uma mosquinha presente naqueles lugares, naquelas situações tão distintas daquelas que vivemos hoje.

Neste sentido, a narrativa de Hannah Howell é pobre e, em alguns casos, até demonstra despreocupação (ou ignorância – embora prefira acreditar que seja despreocupação) com detalhes concernentes aos trajes e suas implicações nos movimentos e comportamentos.

Até existe uma tentativa da autora de ambientar o leitor com os costumes da época, mas eles não são, nem de longe, suficientes para alcançar o objetivo. Quem leu “Luxo” de Ana Godbersen, provavelmente sabe de que tipo de imersão no ambiente da época eu estou me referindo.

Os pontos fortes e momentos melhor narrados em “A Vidente” são os momentos de intimidade sexual entre os personagens, o que eu não considero o melhor lugar onde sustentar um romance histórico. Não li outros livros da autora, mas tive umas dicas de que é bem por aí que ela tenta segurar seus leitores.

Porém, uma vez que a história não tenha a intenção de revolucionar a sua vida e nem de dar um novo sentido às suas experiências já vividas; e uma vez que seu único propósito seja entreter, basta que você se pré-disponha a “ouvi-la”. A aventura vivida por uma jovem que teria vivido na Inglaterra Georgiana (de uma dimensão paralela, provavelmente), numa cidade repleta de gente bem-intencionada, governada por um Conde gentil, fiel e respeitável, que sofre uma tremenda traição e se sente perdido. Por sorte, ou, na verdade, pelas forças obscuras do destino, esta moça e o jovem Conde têm seus caminhos entrelaçados e precisam superar as mágoas e esquecer as cicatrizes das antigas feridas para encontrarem a felicidade.

Se você pensar assim, antes de começar a ler o livro, eu tenho certeza de que pode experimentar agradáveis, singelos e ardentes momentos com “A Vidente” de Hannah Howell.

Booktrailer:
Para variar, o trailer é sempre bem melhor do que o produto que ele representa...




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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

[Resenha] A Garota dos Pés de Vidro - Ali Shaw

Título: A Garota dos Pés de Vidro
Título Original: The Girl with Glass Feet
Autor: Ali Shaw
Editora: LeYa
Páginas: 288
Tradução: Santiago Nazarian
Ano: 1982 – LeYa 2010







☆ Sinopse:

“Talvez ainda não tenha percebido, ou ache que é apenas uma farpa no dedo do pé, mas a verdade é que você está, de fato, se transformando em vidro, lentamente. E embora, nesse ritmo, talvez pudesse seguir pra sempre, tornando a transformação derradeira tão vaga como a morte, nunca se sabe quando o seu corpo e sua razão se cansarão da batalha, e você terá de sucumbir instantaneamente à mais fantástica das cristalizações. É hora de acreditar no impossível. E, antes de mais nada, acreditar em si. Porque, se não é mais capaz de surpreender-se e maravilhar-se com os mistérios dessa vida, talvez seu coração já tenha endurecido.”

☆ Resenha: 

Um livro envolvente que instiga a curiosidade do leitor com o estranho caso de Ida Maclaird, a jovem aventureira que está se transformando em vidro. A história gira em torno de Ida que, junto com Midas Crook, passa a buscar a cura deste fenômeno, que não é o único no arquipélago de Saint Hauda's Land - um lugar com muitas lendas. Bois com asas de borboletas que são do tamanho de insetos, águas vivas que brilham e paralisam, corpos de vidro afundados no lago e seres misteriosos infestam o pântano. É o mundo real, com alguns seres surreais.

Ida: Corajosa e admirável por não ser uma personagem dramática, ainda que tenha motivos para tal. Mesmo com os pés e depois as pernas paralisadas pelo vidro, ela é completamente racional e determinada (embora pudesse ter tomado alguma atitude e adiantado o seu romance com Midas).
Midas: O fotógrafo tímido que se relaciona com pouquíssimas pessoas e foge dos seus sentimentos. Tem um intenso desprezo pelo falecido pai e tem receio de se tornar frio e problemático como ele. Midas lentamente e põe lento nisso descobre o amor e tem sua vida mudada por Ida.

É uma leitura leve porém com muitos personagens – todos – influenciados psicologicamente por suas experiências de vida.

A história não é contada de forma linear, a todo momento o narrador revela fatos ocorridos no passado dos personagens – mesmo dos secundários –, e geralmente são fatos que justificam seus atos atuais.
Amores não correspondidos, tragédias, traições, pais com coração de vidro duplo sentido... Essas narrativas não tem um modo definido para começar o que algumas vezes confunde, mas nada que te faça parar de entender o contexto.

A Garota dos Pés de Vidro é um livro pra quem gosta de romances que demoram a se desenrolar com uma pitada de fantasia, mas sem muitas explicações.
  
No final me pareceu que ficou inacabado, e não parece que vai haver uma continuação. Muitas dúvidas ficaram, como por exemplo o por quê da doença de Ida (durante o livro não aparece como ela e outras pessoas ‘contraíram’ essa doença); além do Ser que transforma tudo o que olha em branco puro – personagem de quem falam desde o começo da história e só tem uma participação rápida no final que nos deixa com mais dúvidas ainda.

Uma história muito diferente das que estamos acostumados a ver, as metáforas são tão ‘metafóricas’ que não soube identificar todas. A ideia do livro até que foi boa, mas acredito que o autor não tenha conseguido extrair tudo o que podia dela. É um livro interessante, porém não chega nem perto de ser um de meus preferidos.



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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

[Resenha] A Chama Sagrada - Lobsang Rampa

Título: A Chama Sagrada
Título Original: Feeding The Flame
Autor: T. Lobsang Rampa
Tradução: Ruy Jungmann
Editora: Record
Número de páginas: 172
Ano: 1971
Origem: Emprestado







Citação:
"Os pensamentos humanos não são constantes e ninguém pensa na mesma coisa ao mesmo tempo com a mesma intensidade. Lembram uma massa de pessoas circulando, todas caminhando, mas fora de compasso, enquanto que se pudesse pensar 'em compasso', obrariam realmente milagres. Se querem pensar um pouco mais no assunto, lembrem-se de um exército, de um regimento que marcha sobre uma ponte. Se marchassem em compasso sobre a ponte, os soldados a destruiriam  e, por esse motivo, recebem instruções para 'romper o passo' antes de atravessá-la. Continuam a andar, portanto, tão desordenadamente como uma multidão, destruindo-se, assim, o efeito sempre maior de homens marchando no mesmo ritmo. Dissipa-se a força, e a ponte nada sofre.
(...)
Se fosse possível reunir, oh, basta meia dúzia de pessoas, que pudessem pensar absoltuta e deliberadamente em ondas do padrão correto, elas poderiam derrubar ou formar governos, elevar um país acima de todos os demais e realizar coisas que se considerariam totalmente impossíveis."

Sinopse:
Milhares de leitores perguntam através de cartas sobre suicídio, meditação, sabedoria, sucesso, felicidade. Nesta fase especial de sua obra, o Dr. Rampa procura responder a todas as questões que lhe são endereçadas.


A Chama Sagrada

Terça-feira Lobsang Rampa era dono de uma personalidade singular que variava de bem humorado ao ranzinza, às vezes misturando os dois. Independente do tema do livro sempre dou boas risadas ao lê-lo!
Em "A Chama Sagrada" relata que, num leito de hospital, recebeu a visita astral de um mestre budista, que o
incubiu de escrever o que seria, teoricamente, o último livro de sua vida, antes que pudesse descançar das terríveis dores que sentia, e terminar sua jornada na Terra. Teoricamente, porque depois que quando estava terminando de escrever este, recebeu a incubência de outro (mestre budista troll...).

Lobsang Rampa era diabético e sofria de trombose - problema que o fez passar muitas noites no hospital, até que os médicos concluiram que não podiam mais ajudar. Voltou, então, para o pequeno apartamento onde vivia no Canadá, com sua esposa e filha adotiva, e deu início ao que pensava ser sua última obrigação aqui neste mundo: alimentar a chama do desejo por conhecimento, que ele acendeu em seus leitores através de seus livros anteriores.

Para isso responderia a perguntas selecionadas dentre as que recebia por intermédio das cerca de setenta cartas entregues diariamente em sua residência. Mas apenas as que não fossem por demais estúpidas. A estas ele ignorava, a menos que fossem especialmente 'interessantes'. Neste caso, ele compartilhava a pergunta conosco, para que pudéssemos rir ou chorar com ele.

Rampa, que já não levantava da cama, em meio às suas características digressões, relatos de causos interessantes e de descrições das coisas que via e que aconteciam durante os dias em que escrevia o livro, responde às tais questões - que valessem a pena -, inclusive uma sugerida telepaticamente por suas gatas siamesas, a quem tratava como filhas. As perguntas giravam em torno de ocultismo, obviamente, e abrangiam temas como carma, vida após a morte, a morte em si, viagens astrais, reencarnação, entre outros; e eram respondidas de acordo com seus conhecimentos adquiridos segundo o budismo - religião da qual outrora foi um monge -, mas levando em conta observações científicas e de medicina, e utilizando-se de muita alegoria para facilitar o entendimento dos assuntos tratados.

Por ser, eu mesma, estudante de ocultismo há dez anos, tenho especial interesse pelos assuntos tratados por Rampa, e posso dizer que sou sua fã desde que li um título assinado por ele pela primeira vez, "Você e a Eternidade", em 2006. Lê-lo, para mim, é sempre um gosto, principalmente pela forma divertida com que se expressa. Todavia, para quem não conhece Lobsang Rampa, a minha sugestão é começar com "A 3ª Visão" - o primeiro livro de sua autoria. Isto porque é necessário que se conheça, ao menos um pouco, os ensinamentos do autor antes de ponderar sobre as perguntas e respostas fornecidas em "A Chama Sagrada".

Para finalizar, não posso deixar de dizer que este não é um livro para qualquer pessoa ler. Nenhuma das obras de Lobsang Rampa o são. Para lê-lo é preciso ter uma mente aberta e um senso de respeito muito grande para saber o que absorver e o que descartar, sem nem transformar seu conteúdo numa doutrina e nem crucificar o pobre homem que nem nesta vida está mais.

Para aqueles que são abertos à novos conhecimentos e novas perspectativas, Terça-feira Lobsang Rampa sempre vale a pena. Posso garantir.



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